Assassino de Glauco vendeu maconha na Vila Madalena para comprar pistola usada no crime
O estudante Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, o Cadu, de 24 anos, réu confesso do assassinato do cartunista Glauco Villas-Boas e do filho dele Raoni, revendia maconha na Vila Madalena, bairro da Zona Oeste da capital paulista conhecido pelos bares e casas noturnas, para comprar a pistola usada no crime. Segundo o delegado seccional de Osasco Archimedes Cassão Veras, Cadu comprava a droga na periferia de São Paulo e revendeu no bairro da Zona Oeste por pelo menos três meses.
- Ele disse, em depoimento, que passou a dar uns ‘pelés’ na avó (com quem morava) para conseguir dinheiro. Com a mesada que ganhava da família, passou a comprar droga na periferia ‘por um preço acessível’ e começou a revender no bairro da Vila Madalena. Ele diz que conseguiu juntar dinheiro após cerca de 3 meses e comprou a pistola e ‘o kit completo’, com munições, carregador e tudo, além de mais ou menos 70 cápsulas. Cadu disse também: ‘tive tempo de arquitetar meu plano’ -diz Veras.
Para o delegado Marcos Carneiro, chefe da Polícia Judiciária de São Paulo, o comportamento do estudante é típico de ‘criminoso comum’.
- Comercializar droga para vender na Vila Madalena não é um comportamento de um louco tresloucado e sim de uma pessoa com o mínimo de raciocínio. Ele adquiriu uma arma e não se preocupou em dar à polícia a informação de quem ele comprou. Não é o comportamento típico de um jovem de classe média e sim de quem está na vida do crime – diz Carneiro.
A Polícia Civil de São Paulo, em entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira, confirmou que no depoimento prestado nesta terça-feira em Foz do Iguaçu, no Paraná, Cadu isentou o estudante Felipe de Oliveira Iasi, que conduziu o carro que levou o estudante até a casa de Glauco, de culpa no crime.
- Na noite do dia 11 de março ele (Cadu) decidiu que iria ‘resolver tudo’ e decidiu que iria chamar o Iasi, um amigo que conheceu na balada e fumou maconha junto dele. Ele acreditava que Felipe ‘seria um bundão, um playboizinho, iria fazer o que ele mandasse’. Então ele telefonou para Raoni para saber que o horário ele estaria em casa. A caminho da casa de Glauco, Cadu sacou a arma que tinha na cintura e apontou para a cabeça de Felipe, dizendo ‘cara, tenho que resolver uma parada, um assunto sério, a arma é de verdade, se você não fizer o que mandar vou sentar o aço em você’ – conta Veras.
O delegado ainda disse que Cadu permaneceu com a arma apontada para a cabeça de Glauco até chegar no destino, na casa do cartunista, em Osasco, na Grande São Paulo. Na casa da vítima, Cadu contou que a intenção era sequestrar Glauco para que ele ‘dissesse a verdade’.
- O interrogado queria que ele (Glauco) dissesse que ele era a reencarnação, que ele deveria ‘dizer a verdade’. Ele falou para o Glauco ‘como você explica a reencarnação dos outros, que o Negão, o Mestre Irineu é Jesus, que as pessoas dizem que você (Glauco) é São Pedro, que Raoni é Davi’ – salienta Veras.
Segundo o delegado, Cadu ainda contou detalhes do assassinato de Glauco e Raoni.
- Ele disse que resolveu levar o Glauco e que as mulheres ficariam em casa. Nesse momento chegou Raoni interrogado sobre o que ele estava fazendo e os dois começaram a discutir. Então Felipe aproveitou-se da situação, pegou as chaves do carro com Cadu e foi embora. Cadu disse que ficou desesperado, que deu um tiro em Glauco. Raoni interveio e foi atingido por 4 disparos. Depois Glauco, mesmo ferido, veio para cima dele (Cadu) e ele fez outros disparos.
Fonte: O Globo